12 Setembro 2008

R$ 100,00



Finalmente com empresa constituída, eis que aparece o que cliente que estrearia a nova fase do grupo. Um rapaz simples, desconfiado e introspecção típica dos grandes gênios da computação. Na ocasião ele desenvolvia softwares para empresas, e por estar no início (descobriríamos mais tarde que “por estar no início” era o mesmo que dizer “ quero pagar pouco porque o seu serviço é moleza e não merecem ganhar muito”) tinha pouca verba para investir em publicidade. Então esprememos e saiu uma deliciosa e “grande campanha” que tinha um poder “enorme” de abrangência: 100 folders e dois banners.
Até hoje não sabemos se o nosso primeiro cliente gostou da campanha porque, ele sempre monossilábico, tinha uma cara só para todas as reações. Respondia as perguntas com “é”, “não”, “talvez”, “negócio”, “fechado”, “tá”, “bom”, “até”, “a”, “próxima”. E foi assim também que ele, mostrando ser bom pagador, quitou à vista e em dinheiro o trabalho. Impressionantemente o que quebrou o gelo foi uma nota de R$ 100 (até hoje não sei pra quê esta nota de cem ter aparecido...). Na época a nota era uma relíquia que circulava no bolso de poucos mortais. Para se ter uma idéia acredito que esta nota foi o resultado de um extravio da carteira de algum membro distraído dos Templários. Assim que a minha sócia, Alessandra, viu a nota, arregalou os olhos e disse: “Cem! Cem! Cem reais?! Meu Deus, vou guardar, é azul mesmo, né? Nossa, que linda”. Respeitamos o momento dela, afinal todo o ser humano tem cinco minutos de loucura diários para gastar como quiser. E por fala em gastar, Daniel, com muito cuidado para não contrariar, convenceu Alessandra a não colocar a nota numa moldura, argumentando que num futuro não muito distante todos teriam a chance de tocar numa nota como aquela. Aos poucos ela se convenceu e podemos contar com cem reais a mais no orçamento.
O mais inusitado foi que o episódio fez o nosso cliente sorrir. Foi um esforço enorme de cantinho de boca que durou alguns segundos, mas eu juro que vi o fenômeno.

14 Maio 2008

A Quinta “Elementa”


Surge mais um cliente de “casa”, melhor, cinco amigas psicólogas da professora de mídia da universidade. Pois bem, com as melhores intenções a professora nos indicou para fazer uma marca para as profissionais. Em início de carreira elas queriam, como nós, ingressar no mercado de trabalho com força total. Depois de um job regado à bosta de vaca esta seria a injeção de ânimo que precisávamos. Alessandra ligou para as psicólogas, uma delas atendeu (lógico, não podia ser as cinco) e foi logo dizendo o que queriam. Alessandra, já com a sua vasta experiência de uma primeira quase conta* interrompeu gentilmente e pediu para marcar uma reunião. Seu pedido foi atendido e o grande dia chegou. Fomos para universidade novamente com as roupas elegantes para dar o toque executivo ao momento, traçamos algumas estratégias (que não cumprimos) baseadas nas conversas preliminares com as clientes potenciais e só esperamos largar, almoçar e seguir para o grande momento. A reunião era às 15h.

A primeira complicação foi no restaurante. O estacionamento tinha uma inclinação de quase 900 (exagerado esse menino). Números à parte, o fato é que o freio-de-mão não sustentava de jeito nenhum o carro naquela posição. Resultado: Daniel e Alessandra tiveram que sair do carro e eu ficar lá dentro plantado com o pé no freio. Procurar outro restaurante não dava, já era 13h30min. Depois de algumas reflexões Daniel resolveu procurar uma pedra para colocar atrás do pneu traseiro do veículo. Deu certo, o carro, com jeitinho, ficou parado. Fomos almoçar, mas qualquer zoada mais forte que escutava pensava que era meu carro descendo a calçada entrando numa loja do outro lado da rua depois de atropelar algumas pessoas na trajetória. Mas deu tudo certo e almoçamos em paz (ou quase).

Saímos do restaurante e na hora prevista chegamos no prédio onde funcionava o consultório. Ao chegar na sala descobrimos que elas não tinham chegado, resolvemos então esperar no hall do prédio. Depois de meia hora de espera chega uma delas, dá boa tarde, pergunta se somos os publicitários, confirmamos, e ela pede gentilmente para que a gente entre.

Logo percebemos que eles tinham um estilo moderno e arrojado. Parecia que as psicólogas tinham inscrito a sala no quadro “Lar Doce Lar” de Luciano Huck. Este seria um bom indicativo para a criação, considerando a tendência das clientes para inovações. Depois de algumas conversas e anotações, chegaram outras três. “Despejaram” suas vontades sobre a marca que queriam e a reunião acabou sem a presença da quinta psicóloga. Levamos o briefing e já partirmos para a criação na casa de Daniel. Após vários brainstorms finalmente saiu a primeira marca: um revolucionário número cinco com uma elipse (tradicionalíssima forma geométrica que salva os diretores de arte) e o nome “Cinco Psicologia” (detalhe: tivemos que pensar até em um nome para elas). Feita a marca, partimos para uma segunda criação, desta vez mais tradicional, com o nome “Consultório de Psicologia” e um layout que nem lembro mais a forma.

Satisfeitos com a criação, chegou o grande dia de apresentar o job. Nos vestimos novamente com roupas elegantes para dar o toque executivo ao momento e chegamos ao local... Sem almoçar mesmo, para não correr o risco de ter que pegar um ônibus e chegar com atraso no local. No íntimo eu estava com a esperança de encontrar a quinta psicóloga (seria tão bonito as cinco sorrindo e dizendo: “como está lindo o layout, combina com as cinco”). Mas só estavam os quatro novamente. Apresentamos o job, elas gostaram e disseram que iam conversar com a quinta psicóloga. Confesso que realmente fiquei intrigado com esta figura oculta. Esperamos, e três dias depois uma das psicólogas liga: “gostei do trabalho, mas queríamos mais opões para decidir”. Concordamos (inclusive eu, pela curiosidade de ver a “quinta elementa” falar comigo).

Fizemos mais duas opções e marcamos outra reunião. Vestimos as roupas elegantes para dar o toque executivo ao momento e novamente estavam apenas as quatro na reunião. Para a minha frustração. Apresentamos o job (eu um pouco desestimulado), elas gostaram e disseram que iriam falar com a “quinta elementa”. Eu passei a achar que esta mulher na verdade deveria ser uma espécie de guro ou mentora espiritual desencarnada que as quatro mantinham contato através de copos virados, espelhos ou por meio de transes mediúnicos.

Misteriosamente as quatro desistiram após esta reunião (talvez seguindo o conselho da entidade). Tentamos marcar novas reuniões e elas (as quatro) disseram que estavam avaliando as marcas e iriam retornar. Não insistimos mais e nem elas ligaram. Até hoje me arrependo de uma coisa apenas: de não ter investido na minha empreitada de descobrir o paradeiro da “quinta elementa”. Eu deveria fazer que nem Bruce Willes e lutar por ela até o fim. Quem sabe a chave da nossa conta não fosse a “quinta elementa?”.

* ler a postagem anterior com o título: A Primeira Quase Conta

SOCORRO... PRECISO VER LOST


Querem me proibir de ver Lost.

Acho que já é de conhecimento de todos, se não, fiquem sabendo agora. Estão querendo tornar a TV por assinatura tão ruim quanto a TV aberta. Está em andamento no Congresso Nacional um projeto de lei, nº 29/07, que estabelece inúmeras obrigações e restrições ao serviço prestado pela TV por assinatura.

Não satisfeito com os conteúdos ruins da TV aberta, o deputado João Maria (PR-RN) desenvolveu um projeto de lei que tem como objetivo obrigar todos os canais de TV por assinatura a exibir 50% de conteúdo nacional. Jorge Bittar (PT-RJ), relator do projeto, ainda define as porcentagens de produções: 17% teledramaturgia; 17% conteúdo independente; 6% conteúdo regional e assim vai...

Não tenho nada contra o nacionalismo que estão querendo implantar, só que esqueceram de pergunta se nós queremos.

Se este projeto for aprovado, demonstra uma excessiva intervenção do Estado num serviço que é prestado sob o regime privado. Pior, está interferindo no lazer pago das pessoas que assinam um serviço da TV por assinatura para fugir do conteúdo nacional.

Será que não basta o valor exorbitante pago às TVs por assinatura, onde somos obrigados a levar infinitos canais que não usamos? Que tal reformular este projeto para que nós consumidores possamos ter a opção de escolher quais os canais que queremos ver e assim formar o pacote adequado às nossas necessidades?

Se você não concorda com este absurdo, junte-se a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura www.abta.com.br) que criou uma campanha Liberdade na TV, onde as pessoas podem preencher seus dados e enviar um e-mail ao excelentíssimo criador da lei. Mas cuidado, eles também não são tão bonzinhos quanto parecem.

Senhores políticos, por favor, achem o caminho do bom senso e me deixem assistir Lost.

19 Março 2008

A Quase Primeira Conta


Nosso primeiro suposto cliente surgiu antes mesmo da gente constituir empresa. Foi um cliente, digamos, “de casa”. Era o marido de uma amiga do curso de jornalismo e conceituado empresário do ramo de autopeças em Recife. O empresário estava abrindo uma loja para vender tratores, caminhões, ônibus e motores agrícolas. Por telefone, o empresário queria que a gente elaborasse folder ou um panfleto para seus vendedores mostrarem os produtos para os clientes. Panfleto para vender produto? È por isso que existem profissionais, ou no nosso caso, aspirantes a profissionais de publicidade. Marcamos uma reunião e fomos os três com uma vontade danada de pegar a nossa primeira grande conta. Nem pequena tínhamos. Colocamos roupas elegantes para oferecer um toque executivo ao momento e seguimos para a empresa que poderia ser a largada para o sucesso publicitário. Eita que clichê. Estacionamos na empresa, rezamos e o primeiro passo de Daniel foi literalmente na bosta. De vaca. Bom sinal, já que a tradição afirma que os excrementos verdinhos deste animal chamam dinheiro. Pela cor deve ser dólar ou um real. Mas tem um porém, a bosta fede que é uma beleza. Foi um desespero, tentamos esfregar o sapato do rapaz na grama, procuramos água, no fim das contas torcemos para a coisa não feder.

Batemos à porta do nosso cliente em potencial. Na sala estava o empresário e seu filho, braço direito no negócio da família. Após diálogos inúteis iniciais, começamos a mostrar o job que produzimos depois de conversas que tivemos por telefone com o empresário. Procedimento errado. Mas a inexperiência e vontade de mostrar serviço foram determinantes para cometermos este erro de atendimento. Contudo, os empresários ficaram satisfeitos com a pirotecnia do material. Modéstia à parte, foi um trabalho massa, visse? Era um catálogo com um bolso que mostrava carros antigos na capa e quando a gente puxava a lâmina de dentro do bolso vinham os principais itens oferecidos pela empresa. Eles deram um sorriso de aprovação, demonstraram interesse pela “obra” e pediram um tempo para entrar em contato. Com o bom resultado da reunião fomos logo comemorar no shopping comendo MC Donald. Durante a comemoração dissemos que não daria uma semana para o empresário ligar. Passou a primeira semana e nada, segunda e nada, um mês e nada. Ligamos e ele disse que estava em conversa para autorizar. Dois meses e nada, três... E o negócio ficou na comemoração. Meses depois soubemos que ele fechou a loja e voltou a investir apenas em serviços e vendas de autopeças. Tá vendo, se tivesse investido em publicidade talvez não tivesse que fechar o estabelecimento. Aprendemos três coisas: Nunca fazer briefing por telefone, nunca comemorar depois de reuniões e nunca acreditar em bosta de vaca.

29 Janeiro 2008

Logo Rio 2016


Durante a entrega do Prêmio Brasil Olímpico no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi apresentada a logomarca da candidatura carioca às Olimpíadas de 2016.
A logomarca é de autoria da Designer carioca Ana Sother, da Sother Designer.
A escolha da logo foi feita por uma comissão julgadora que analisou os 4 trabalhos na etapa final do processo. Não tenho noção de quantas opções de logo existiram.
Apesar de descontraída e amistosa, a logomarca cumpre o papel de vender um Rio de Janeiro sem violência e com muito amor. Coisa difícil pra qualquer designer.
Os traços da logo dão referencia ao pão de açúcar, orgulho dos cariocas, mas não podemos deixar de alegar que foi um “baita de um clichê”.
As cores mostram alegria e entusiasmo, nada melhor quando se fala de esportes.
Agora porque a exclamação no lugar do numero 1 no 20016? Ana Sother alega que a exclamação representa a expectativa do povo carioca de sediar um evento deste nível e mostrar que no Brasil as coisas podem dar certo.
Lula, posso fazer uma logomarca do PT com uma exclamação no final?

Pra quê Experiência, Montei Uma Agência - Parte 1

Ainda na universidade tínhamos o pensamento empreendedor de abrir uma agência de publicidade. Eu, na época um estudante de jornalismo metido a publicitário, pagava algumas cadeiras de publicidade para não ficar de fora das “festas criativas” que aconteciam na sala ao lado. Meus, hoje sócios, eram normais e estudavam publicidade na mesma universidade. Nos conhecemos numa carona que ofereci para eles, logo veio a afinidade e amizade. Pronto, daí foi um passo para fazermos trabalhos juntos e descobrirmos que o trio dava certo. Jovens e sonhadores (ainda somos), a partir dos bons trabalhos que fazíamos e dos elogios dos professores, começamos a arquitetar nosso futuro como empresários. A gente nem sabia das “porradas” que vinham pela frente... Calma, não é para desanimar, mas quero dividir com os publicitários e universitários da área um pensamento: não é fácil no começo, não é fácil no decorrer dos anos e no momento em que eu estava escrevendo este texto continuava não sendo fácil. Traduzindo para o popular, é difícil mas é bom. Nossa profissão é instável e complexa mesmo.

Pois bem, a primeira coisa que se pensa quando se quer abrir uma empresa, obviamente, é a marca.
Resumindo o processo de confecção da marca para não ficar chato: na falta de criatividade fizemos o que a maioria faz com as iniciais dos sócios. No nosso caso :Adauto e Alessandra ao quadrado e Daniel, tendo como resultado a A²D Comunicação.

Marca feita, estamos há 3 anos na luta. Parece pouco, mas aconteceu cada coisa... Apesar do pouco tempo, aprendemos muito e percebemos na prática que a teoria também ajuda. No decorrer dos textos contarei as duras e engraçadas histórias dos desbravadores da A2D. É “A” 2 (numeral) “D”. Esta é a técnica que criamos para dizer o nome da agência pela primeira vez a alguém. Isso sim é criatividade.. Que diga nossos contatos por telefone.

Chegou a TV Digital!


Uns dizem que o comercial de 30 segundos nunca esteve tão ameaçado. Outros por sua vez, dizem que a TV digital não é tão ameaçadora assim. Os publicitários apenas terão que achar maneiras “criativas” para atingir o público. E põem criativas nisso. A TV digital oferece uma gama de serviços aos seus usuários, desde escolher sua própria grade de programação até enviar e-mail.
Os hábitos de consumo mudarão, a informação deixará de ser padrão. O que fazer para o telespectador assistir aos comerciais de 30” ? Merchandising dentro dos programas? Seria uma alternativa, mas não muito criativa, considerando que a prática já existe e não agrada muito .
Uma das idéias “criativas” desenvolvidas pelos publicitários americanos, e utilizada na TV brasileira, mas sem a devida importância, pelo dono do SBT - Sistema Brasileiro de Televisão, é a entrega de prêmios. O telespectador que assiste um determinado programa e observa atentamente o comercial anotando a palavra-chave, tem a possibilidade de ganhar prêmios. Deixar de ver o comercial? Nem pensar. Uma empresa americana de sanduíches, não lembro o nome, só sei que não é a “MC” de Tio San... não fez diferente, colocou uma palavra-chave dentro do comercial e os primeiros 20 clientes que ligassem ganhariam um sanduíche. Tudo bem que diversas pesquisas falam sobre a positividade da imagem da empresa para esses tipos de ações. Mas será que iremos nos resumir a isso?
E vocês o que acham? Vamos opinar. Que alternativas poderíamos explorar?
Vamos começar a nos adaptar enquanto há tempo. Estamos na contagem regressiva e temos que ser rápidos porque nem 30” nós temos. Estimulem suas criatividades, afinal, criativos nós somos!